F O Baú Errante: poesia

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sábado, 9 de julho de 2016

Aperto no peito

Tem hora que aperta
E a vontade é de me esconder
A saudades aperta
E quero o fim da distância
O ciúmes machuca
E penso em correr para longe


Vergonha de meus sentimentos
Irracionais, quase imorais
Dentro do idealismo que carrego
E então penso em solidão
Desejo um longo breve isolamento


O coração dói
A respiração se põe a ofegar
Ansiedade desperta
E a ânsia é por escuridão


Busco calar-me
Com o desejo de isolar minha dor
Mas o fogo é mais forte
E a vontade é de se alastrar


Sei que uma hora passa
Que o sol sai de trás das nuvens
E tudo volta a ser claro
As sombras deixam meu ser
E meus olhos podem voltar a brilhar

Cinzeiro

Queria que viessem em casa
Como em procisão
Que me dessem flores
Como em um velório

Não queria que corressem em auxílio
mas lamentassem
Uma rosa que murchou
E um fogo que se apagou

Talvez restassem fagulhas
Aquele carvão incandescente, sabe?
Que às vezes quando sopra até pega de novo
Mas que rapidamente perde seu calor

Talvez a respiração ofegante agora cessasse
Não se sabe se de calma ou de vazia
Talvez um brilho até voltasse

A um olhar sem vida

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Nova janela e mensagem para um amor

Os mecanismos da minha mente se ajustam
Novos sentimentos impressos nas memórias
Está chovendo
O cheiro é bom
Lava as impurezas do passado
E traz promessas de renovação
Vou lá aproveitar a chuva

Refletir e afagar minha mente tão calejada

Árvore da tranquilidade

Sinto uma felicidade
Não eufórica
Não é alegria
É calma
Serenidade


É a leveza de assuntos resolvidos
A certeza que amores rompidos
Foram o que podiam ser


A leveza da compreensão
O aceite das circunstâncias
E o mútuo acordo


Memórias em novas janelas
Impressões apagadas e remarcadas


Medos dissipados
Anseios acalmados
Tranquilidade

Isso é… um pedaço de felicidade

Minha vida em um buraco

Me sinto furada
Com uma bala perspassada
que deixou seu buraco na minha pele
no meu corpo, no meu todo
um vazio


seria vazio, não estivesse antes preenchido?
ou seria o vazio dos desejos não cumpridos?


às vezes ele vem na sua ausência
na dor de quando se vai
você vai se completar
e eu fico aqui a olhar para esse
vazio


sinto que és mais completo que sou
e ao ter sua vida entrelaçada
com a minha incompleta solidão
tenho minhas faltas, minhas falhas reveladas
antes tapadas, tapados os buracos
feitos pelas balas da perdição


Como costurar, com linha firme,
linhas do destino
que não terão seus nós desfeitos
ao menor balanço
que não se romperão

e terão enfim um descanso?

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Cura/Dor

Das curas uma
Mas outra que tomou
No fundo estava lá
Apenas mudando de forma
Apenas se espremendo diferente
Se emaranhando e modificando
E agora renasceu


Renasceu e não foi belo
Me sufocou.
E engasgo numa dor
Tropeço num balanço
Sabendo o rumo
Sem conhecer o meio
Mas ando… sempre em frente.

domingo, 9 de novembro de 2014

O vazio da dor

Renegada, relegada
Sozinha, alvejada, dilacerada
Sem rumo, sem caminho, sem traço, sem reta
Sem espaço, sem abraço, sem consolo, sem esforço
Sem carinho, sem sentido, sem ternura, 
sem compostura

Volta

A poesia se foi
O amargo dessa vez não a trouxe de volta
Afastou-a de forma implacável
A vivência na indiferença
O aprofundamento de uma dor que mal se sentia
Escondida e esquecida

Mas quando os refúgios se vão
E só lhe resta o calor da solidão
e das lágrimas que escorrem
Talvez ela volte
Tímida e querida
Para enaltecer o coração
Daquela que sofre sem emoção.

domingo, 8 de dezembro de 2013

A dança



Deixe-me embalar ao som da música, deixe-me livre para dançar. Quero me libertar e não ter hora pra voltar. A dança é minha expressão, que completa meu ser e o enche de emoção. Deixe-me bailar até o sol raiar, e depois... só continuar.

Ao som de Allegro moderato - Tchaikovsky


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Inemoção

E então você vê que está tudo errado
Você errou nas suposições
E a sinceridade falhou
Porque as pessoas não esperam honestidade
Elas preferem que fiquemos calados e escondidos

Racionalidade e não emoções
Temos que mentir sobre nossos sentimentos
Para não nos fragilizar
Temos que parar e apenas pensar
E controlar nossos desejos e intuição

Pare, espere e não aja
E quem sabe você não se arrependerá

E assim me sinto,

Escrava da razão


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pelo passado eu vivo

Meu maior problema é ter sido um dia tão feliz.
Desde que os tempos mudaram, a vida não fez sentido
Neguei tudo de positivo depois que perdi a minha sustentação
Nunca quis aceitar que algo poderia ser igualmente bom
Meus alicerces mancos estavam lá.
Parece até que existe um esforço pra fazer tudo parecer ruim
As coisas não são ruins. São diferentes, de forma inaceitável.
Porque as coisas que amo só podem ter espaço em um lugar
E esse lugar não é aqui.
Por isso nada daqui posso amar
Na esperança de um dia tudo voltar
Mas aquele passado muito distante ficou
E só me resta aceitar o presente como algo bom
Coisa pela qual eu luto sem concordar.

sábado, 27 de abril de 2013

Um belo desabafo infantil

E minha cabeça
É como se fosse explodir com toda a dor no mundo
Explodir de tanto ataque da ignorância
Minha mente
se contrai com o ataque do fechamento
da dor impercebida

Mundo hipócrita e egoísta
por que vocês não veem
tem vendas nos olhos,
não enxergam o cruel mundo que nos circunda?

você acha que está tudo certo
Mas não!
Tem gente que sofre todo dia
e você aí ignorando essa dor
e exaltando seu ego sujo

do sangue derramado da opressão
suas piadas fedem
máscaras inúteis
amputam a razão

conforme-se, conforme-se
é o que eles dizem
e não vejam a sujeira atrás de seus pés
Acha que tá certo?
continue, beba do sangue estuprado
de gente inocente
e tão cruel como quem nasceu aqui

Venha e compre
compre mais, mais!
compre o que não te serve
mas não esqueça do regalo
que é a sua própria opressão

Linda e linda, sempre assim
alimente os olhos que te devoram
corpo, mente, alma, espirito
é lindo como jasmim

Cale-se!!
cale-se sua voz inútil
em meio a moribundos
na sombra do terror
Terror.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Antes do fim

Acabou-se o tempo da poesia
E o interesse todo se foi
Nem daqueles grandes amigos
resta compaixão ou algum amor

E se não há motivo,
por que persistir?
Quando não há valor
e só se sente a dor

Uma voz de ninguém
sem quem possa ouvir
Sonhos dilacerados
espalhados no espaço

Dor

Algo dói, bem profundamente. É uma dor de perda, apesar de não haver uma concreta. É uma dor sem cura. É a dor de tristeza sem aparente motivo. É a dor de perder a si mesmo. É a dor de perder aquelas pessoas queridas. Não uma perda real, mas abstrata. A perda da distância. Distância não só física. É dor de desolação.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Rejeição

As lágrimas correm,
quando o vento passou
e sussurrou ao meu ouvido
aquelas perdas e a dor

Não deixem para trás
tudo aquilo que se foi
Por que vocês insistem
em se afastar do meu calor

E não adianta chorar
nem tentar voltar
Uma vez perdido
Difícil é reencontrar

E o sofrimento é tanto
que consome meu ardor
E quem sabe um dia eu volte
a viver com aquele amor




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Morada

A tristeza bateu à minha porta
E perguntou se poderia ali se alojar
Eu a recebi de braços abertos
Pois na casa sobrava lugar

Não perguntou nome, nem sobrenome
E pôs-se ali a se aninhar
Revirou quartos e cantos
E permaneceu sem data pra voltar

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Veloz

O mundo olhou para frente, viu que o caminho estava livre e correu. Correu como nunca, sem parar e nem olhar para trás. O tranco foi tamanho que nem deu pra se equilibrar. Caí, e foi difícil levantar. E pra me acostumar com a velocidade... Ah, difícil superar.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ampla solidão

Agora você está sozinho
Não se iluda, ninguém te entende
Não bastam amigos, família
Estamos sozinhos

Mesmo que os queridos nos socorram
Mesmo que tenhamos um abraço
Não importa
Apesar de tudo, estamos sozinhos

Ajuda não é suficiente
Pois temos de encarar
A escuridão de nosso ser
Sozinhos

Podemos ser ouvidos
E até compreendidos
Mas os nossos problemas
Resolveremos sozinhos

A agonia lá dentro
Uma luta de poder
Não há quem a impeça
Devemos suprimi-las sozinhos

Mas enfrente os seus fantasmas
Esvazie todo o medo
E pense: eu posso!
Apesar de sozinho

Saiba viver sua solidão
Alegrar a si mesmo
Estar só não é tristeza
Triste é não aguentar ser sozinho

E quando nos completarmos
Vivermos solitários
Aí sim, poderemos amar
E então deixar de ser sozinhos

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

As flores e o pássaro

Caminhando na calçada, ansiando pelo destino final e divagando como o usual. Á frente, uma árvore sem folhas e coberta de lindas flores, que suavemente demandava uma parada para admiração. As delicadas flores brancas onipresentes anunciavam de forma discreta sua beleza, apenas para aqueles mais atentos e apreciadores de sublime expressão do belo. Um pássaro, preto rajado de branco, mas com asas brancas rajadas de preto, apareceu pulando entre os galhos e parando de vez em quando para bicar a madeira. O pássaro, nunca antes visto, era encantador com sua singularidade e seus graciosos movimentos por entre as flores. Voava de um galho a outro, olhava com curiosidade e parecia procurar por algo invisível a alguém fora de sua realidade. Era um imenso deleite observar aquela cena fascinante; talvez uma das mais deslumbrantes já vistas. Meus pés estavam presos àquele lugar, e meus olhos não conseguiam desvencilhar dos movimentos daquele pequenino ser. Mas os deveres e o escasso tempo chamavam, então fui obrigada a prosseguir com o caminho usual, não sem olhar de relance para trás.

Porém, alguns momentos são únicos. No dia seguinte, a beleza se fora. Flores amareladas, fracas, resistiam à queda, enquanto parte já estava no chão. Sem pássaros. Não obstante a árvore permaneceria para, quem sabe, florescer em um outro dia.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ciclo partido

A Natureza
Um fluxo constante de energia
Vitalidade se transforma
Em energia morta, energia viva

Se a árvore apodrece
O ciclo corre, a vida se reconstroi
Mas se não permanece
No sistema tem-se um vácuo

Roubo vital, furto atemporal
E o equilíbrio se rompe
E uma parte abandona-se
Um abismo se abre

Dito é que nada se perde
Tudo se tranforma
Vida vira carvão
A alma da alimentação

E o animado
Cai morto e mutilado
Mas não se perde
Vira nutrição