F O Baú Errante: meio ambiente

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Destruição ou razão?

O ser humano: ser ganancioso e egoísta, defende seus interesses e seu próprio bem-estar, sem se preocupar com os demais. Pensamentos e ações dessa natureza egocêntrica resultam na enorme desigualdade social que é realidade para grande parte dos humanos. Por maiores que sejam os esforços para mudar a situação e propiciar o bem-estar da comunidade, o desejo do próprio benefício é grande demais para permitir grandes iniciativas generalizadas de mudanças.

Em seu anseio por poder, o homem se esquece de sua origem e manipula abusivamente a natureza para seu enriquecimento, levando-a à destruição e esgotamento. Assim, além de destruir a sua própria espécie, destrói também o meio em que vive. Como a sua auto-destruição é consequência de seus próprios atos, o fim trágico pode ser dado como merecido. Mas, em sua ganância, arrastar junto o meio ambiente, que é livre de qualquer culpa, torna-se inaceitável.

Os animais, vegetais e demais seres vivos prejudicados parecem dignos de inocência, por sua nobre e humilde existência e falta de pensamento tão individualista e ganancioso como o nosso. Mas não. Todos os seres vivem uma acirrada e infinita competição pelo espaço, alimento e condições de sobrevivência. Ao longo do tempo uns, mais vitoriosos nessa luta que outros, vieram eliminando os demais, pois os recursos são limitados. Ou mais certo seria dizer que a natureza os eliminam, o que chamamos de seleção natural. Sobrevivem os mais bem adaptados a ela, por ela escolhidos. É a natureza que cria o mais resistente, e dessa forma deu a condição necessária para a evolução do mais forte de todos os seres, não devido a seu físico, mas sim a sua inteligência e capacidade de manipular e se aproveitar do meio à sua volta: o homem. A natureza criou o seu próprio destruidor.

A partir do momento que o ser humano foi desenvolvendo-se por si só, por sua capacidade, foi-se tornando cada vez menos submetido à natureza, à sua origem. Contra a correnteza ele nadou e pelo uso abusivo, agora os recursos naturais estão chegando ao esgotamento, somente para finalmente percebermos que o elo que nos liga ao ambiente natural é indestrutível.

Sem saber, a natureza pode ter criado a sua destruição, mas sendo ela que propiciou a nossa existência e nos permite continuar sobrevivendo, por que a destruiríamos?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Contra o novo Código Florestal

Na terça-feira, dia 10 de maio, nós, SAPA (Secretaria Acadêmica Pró-Ambiental), estudantes de Engenharia Ambiental da USP e de Biologia da UFSCar, realizamos uma manifestação em São Carlos contra as alterações do Código Florestal, propostas por Aldo Rebelo e em votação no dito dia. O ato foi feito com o intuito de entregar panfletos e conversar com as pessoas na rua, a fim de informar a população da cidade sobre o que estava ocorrendo. A nossa rota foi da concentração no CAASO, saindo pela Carlos Botelho, até o Mercado Municipal da Cidade, onde paramos e focamos na panfletagem.
Além das marchinhas que fomos tocando e cantando pelo caminho, e os diversos cartazes com frases manifestando nossa opinião contrária ao novo Código, tivemos 10 minutos na tribuna livre da Câmara Municipal de Vereadores para falar da nossa causa e pedir apoio através de uma moção de repúdio à alteração da legislação. Tal moção foi obtida com sucesso, e o nosso ato teve uma grande repercussão na mídia local, sendo divulgado em jornais e rádios da cidade, através de notícias e entrevistas com os participantes.

Infelizmente, ontem, dia 24, o novo Código Florestal foi aprovado pela Câmara de Deputados e encaminhado para o Senado, apesar da contrariedade do governo. O projeto de lei diminui as APPs (Área de Preservação Permanente) a margem de rios de até 10m de largura que devem ser recompostas; permite a manutenção do cultivo de espécies lenhosas em APPS de topos de morros, montes e serras; perdoa multas e crimes ambientais em troca do comprometimento com a restauração das áreas que foram degradadas até 2008; permite que APPs seja contada como reserva legal e também que ocorra a venda do excesso dessas últimas; além de descentralizar parte do poder de fiscalização e complementaridade do Código, o que tende a diminuir o controle das reservas.


Apesar disso, a luta ainda não acabou. O projeto ainda deve passar pelo Senado e pela aprovação da Presidenta, e até lá podemos continuar nos mobilizando, e tentando aumentar o movimento. Nesta terça-feira, foi feita mais uma manifestação, com maior participação de alunos da UFSCar dessa vez, em que, novamente, procuramos chamar a atenção e conversar com a população. Outras cidades também fizeram atos parecidos; e mais ações virão de São Carlos. Vamos continuar lutando!


Quem é de São Carlos e quiser participar dos movimentos e ações, foi criado um grupo de e-mail: codigoflorestalsaocarlos@googlegroups.com é só pedir para ser inscrito


sábado, 26 de março de 2011

O problema do lixo

Se consumimos, produzimos lixo. Consumimos demais, logo também produzimos lixo demais. Pense só no lixo que você produz por dia. Não parece muito, mas chega a cerca de 1kg diário. Agora imagine milhares de pessoas descartando essa quantidade de resíduos. E milhões de indivíduos, então?

Não à toa a cidade de São Paulo sofre com alagamentos após chuvas intensas, que são agravados pelo lixo deixado nas ruas, sejam entulhados ou até em sacos esperando o lixeiro passar. Não só isso, mas o despejo dos resíduos nas ruas impede passagem de pedestres e gera mau cheiro, além de uma cena um tanto desagradável para os circulantes. E como se o problema do descarte não fosse grande o suficiente, há ainda a dificuldade de se coletar todo esse lixo, e enviá-lo para o destino adequado, reciclando o que é possível.

Em São Paulo a coleta é feita pelo município em caminhões e os sacos de lixo só podem ser colocados na rua uma hora antes do horário de serem retirados ou após as 18h quando a coleta é noturna. Só que como muitas pessoas estão trabalhando ou em outras atividades durante o dia, fica difícil cumprir a lei, e o lixo continua sendo colocado nas calçadas muito antes da hora. Quanto aos resíduos recicláveis, nem todas as pessoas têm acesso direto à coleta seletiva e devem deixar em pontos que a fazem, ou então, como acontece não só em São Paulo como na maioria das cidades, deixar de separar e enviar tudo para a coleta convencional que vai para o aterro, ou até lixão.

Felizmente, algumas cidades procuraram formas de resolver esse problema. No Brasil, temos Curitiba como o exemplo a ser seguido: a coleta seletiva atinge 100% dos moradores, cabendo aos moradores a separação do lixo orgânico e reciclável. Entre as medidas de incentivo do governo da cidade, é destacada a conscientização dos moradores, assim como o estabelecimento de 90 pontos na periferia, onde 4 quilos de material reciclável pode ser trocado por 1 quilo de alimento. Dessa forma estima-se que 23% do total de resíduos da cidade seja reciclado, uma porcentagem bem alta se comparada à de São Paulo: apenas 1%.

Um pouco mais sofisticado é o sistema de Barcelona, no qual cerca de 30% da cidade conta com a coleta pneumática, em que os moradores depositam seus resíduos em escotilhas e o material é transportado por uma tubulação a 70km/h até uma central de coleta. O material aproveitável é reciclado e o restante, orgânico, é transformado em combustível para mover turbinas que produzem eletricidade. Pode-se dizer, portanto, que há quase 100% de aproveitamento dos resíduos.

O exemplo de Barcelona mostra que é possível resolver um problema, ao mesmo tempo em que se gera riqueza. Não só é evitado um descarte inadequado de lixo, que gera poluição e degrine a imagem da cidade, mas também aproveita-se para gerar material utilizável, evitando a extração de nova matéria-prima, e energia. É dessa e de outras formas que podemos criar projetos de sustentabilidade que, ao invés de ser um entrave para o desenvolvimento, acaba alavancando-o, resolvendo assim o grande impasse de se ser sustentável.


Baseado em informações da reportagem de capa da Veja São Paulo de 19 de janeiro de 2011

Reportagem do Jornal Nacional sobre o sistema de Barcelona, 08/05/2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ciclo partido

A Natureza
Um fluxo constante de energia
Vitalidade se transforma
Em energia morta, energia viva

Se a árvore apodrece
O ciclo corre, a vida se reconstroi
Mas se não permanece
No sistema tem-se um vácuo

Roubo vital, furto atemporal
E o equilíbrio se rompe
E uma parte abandona-se
Um abismo se abre

Dito é que nada se perde
Tudo se tranforma
Vida vira carvão
A alma da alimentação

E o animado
Cai morto e mutilado
Mas não se perde
Vira nutrição

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Blog Action Day: Água

Bom, descobri há pouco a existência do Blog Action Day, um dia em que é escolhido um tema sobre o qual ser falado por todos os blogueiros que resolverem participar, por isso o meu post vai acabar saindo nos primeiros minutos do dia 16 hehe.

O tema escolhido dessa vez é Água. Por que a Água? Porque é um bem essencial para a vida; leve-se em conta que foi ela que criou condições para o aparecimento do primeiro ser vivo, e até hoje continua nos proporcionando a continuidade da vida. Só que pelo fato de água ser algo tão acessível e comum para nós, esquecemos de sua importância e, principalmente, de que ela pode vir a ser escassa.

É claro que, com água potável saindo de filtros e galões de água mineral e água limpa saindo de todas as torneiras de casa, é difícil imaginar que grande parte da população mundial não tem acesso a água de mínima qualidade para seu consumo, e a tendência é que a situação se agrave. De acordo com dados oficiais da ONU, cerca de 1 bilhão de pessoas sofrem desse mal, o que corresponde a quase 20% da população. E as previsões são alarmantes: em 2025, a 2/3 do mundo poderá faltar água limpa, e em 2050, a porcentagem subiria para 75%.

É por essas e outras que deveríamos, cada vez mais, tomar mais cuidado com os nossos gastos de recursos naturais como a água. Além do bê-a-bá do não-desperdício (fechar torneiras quando não em uso, não tomar banhos demorados, verificar vazamentos...), devemos atentar ao consumo de todas as outras coisas de nosso dia-a-dia. Para a produção de alimentos, papel, plástico e todos os outros produtos, consome-se muita água também. Portanto, procurar informar-se sobre esses dados e evitar o consumo exacerbado ajuda consideravelmente para evitar um desperdício de água inclusive maior do que aquele que podemos observar com os próprios olhos.


O vídeo do Blog Action Day completa o assunto:

terça-feira, 27 de abril de 2010

A História das Coisas

Olhe a sua volta. A maior parte de tudo perto de você foi comprado em algum lugar, ou ganhado de alguém que adquiriu de alguma forma. E apesar de estarmos cercados por produtos de todos os tipos, mal sabemos todo o caminho percorrido por eles para chegar até nós e o caminho que percorrerão depois, e todos os impactos que essa compra causou e causará.
E é isso que a Tides Foundation mostra no vídeo The Story of Stuff com Annie Leonard. Uma animação muito interessante e divertida sobre a origem e destino das coisas que compramos, seus impactos sociais e ambientais. Não deixem de assistir!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Eleição consciente

Hoje, em meio aos tweets, vi uma notícia que chamou bastante a minha atenção, e depois que a li, só me surpreendi mais.

A Market Analysis fez uma pesquisa chamada "Barômetro Ambiental" em nove das mais importantes capitais brasileiras, que mostrou que 66%, ou dois terços, dos brasileiros que irão votar nas próximas eleições, levarão em conta o posicionamento dos candidatos quanto às mudanças climáticas. Um número realmente significante, na minha opinião.

Houve diferença nesse número para faixas etárias, sexos, local e classes sociais diferentes. Jovens são previsivelmente mais interessados pelo assunto, com uma grande diferença em relação aos mais velhos, enquanto homens são ligeiramente menos interessados. Supreendentemente, as cidades com maior porcentagem de pessoas que se preocupam com as mudanças climáticas ao votar foram as capitais nordestinas Recife (85%) e Salvador (75%).
Mas mais incrível ainda é que as classes média e média baixa são as mais sensibilizadas pela questão, enquanto a elite econômica foi a que menos mostrou receptividade a candidaturas que focam as questões climáticas.

A princípio, fiquei surpresa com o último dado, mas depois de pensar um pouco, vi que realmente fazia sentido. Obviamente, a elite, proprietária dos grandes negócios e empresas, não está interessada em diminuição de emissões de gases e desenvolvimento sustentável, o que traria só dificuldades, prejuízo e frearia o desenvolvimento da fonte de suas riquezas. Para eles, o importante é que continuem crescendo, dominando o mercado e lucrando mais, sendo o resto irrelevante; o grande impulso capitalista. Além do que, como abririam mão de seus luxos, que consomem altas quantidades de energia e recursos, para combater as mudanças climáticas?

Quebrando o paradigma de que a maioria da população brasileira é ignorante e não tem instrução, e só a classe alta possui informação e consciência, essa pesquisa, mesmo podendo não ser tão precisa, nos mostrou que não é bem assim. Nesse caso, a maioria mostrou-se consciente da situação desfavorável e que é necessário combate-la, enquanto a minoria, da elite econômica, posicionou-se indiferente, por defender os seus ganhos pessoais.

Só espero que esse quadro se mantenha ou melhore, e efetive-se, de forma que possamos ter um líder consciente da situação em que nos encontramos e das soluções que devem ser tomadas.

Mais:

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Fim da COP-15

Só estou escrevendo para finalizar este tema aqui, mas a minha vontade de escrever sobre isso é nula.

O texto final que demorou horas e mais horas pra sair, isso sem os presidentes que já haviam regressado aos seus países, não saiu nem um pouco como o esperado (para os otimistas). No fim, não houve nenhum plano de metas vinculante e efetivo para os países desenvolvidos, a não ser o bem abstrato de corte em 80% na emissão dos gases do efeito estufa até 2050. Além disso, de relevante apenas o fundo de ajuda aos países pobres que deverá somar 100 bilhões ao final de 2020.

Achei mal explicado o que resultou, sendo que países que não participaram da formulação do texto final (como Venezuela, Cuba e Bolívia) se negaram a aceitá-lo, e a aprovação deveria ser por consenso.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Frustração na COP-15

O tempo passa, e os tweets do Greenpeace e do Planeta Sustentável sobre a COP-15 não param. Quando eu acabo de ler uma notícia, vou lá ver e já tem outra. Parece que tudo foi deixado para o último dia na COP. E apesar dos apelos do presidente Lula e dos discursos de Chavéz e Morales, os EUA continuam inflexíveis em suas metas.

A União Européia já concordou em cortar suas emissões em 30% com base no ano de 1990 até 2020, mas os Estados Unidos continuam com a sua pobre medida de cortes de 17% em relação a 2005 (o que equivale a 4% com base em 1990) e não consideram mudar.

De acordo com a nova análise da ONU, mesmo com todas as medidas que foram até agora colocadas na mesa, teremos um aumento de 3° C até o fim de século, enquanto os líderes mundiais pretendiam definir metas para que o aumento não ultrapassasse 2° C.

O presidente Lula em seus discursos fortes e frustrados, inclusive tendo feito um de improviso antes do presidente Obama, critica o comportamento de países como EUA, União Européia e China que esperam uma ação do outro para tomar a sua própria, e ressalta que o dinheiro do fundo é um pagamento dos países ricos pelo carbono lançado na atmosfera que permitiu seu rápido desenvolvimento e não uma esmola aos países pobres.

As últimas resoluções para o final da COP-15 estão sendo discutidas e as esperanças são pequenas quanto ao resultado final.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O grande impasse

Protestos de ambientalistas, greve de representantes de países africanos, apoio de mais de mil
empresas, abaixo-assinados e demonstrações do desejo da população mundial para um contrato ambicioso e legalmente vinculante. Mas nada parece mexer com a cabeça dos líderes que podem mudar o impasse que se dá em Copenhague.


Mais de 8 dias de negociações e até agora nenhum resultado concreto. A situação aparenta bem instável. Uma hora parece que alguma coisa vai sair e na outra todas as esperanças parecem já perdidas. As decisões podem não ser fáceis, mas pelo peso de sua necessidade deviam ser discutidas de forma mais objetiva e realista, com o fim de chegar a um possível acordo legal.

Se há problemas para decidir se o aumento da temperatura global máximo que pode ocorrer é 1,5° C ou 2° C, imagina pra decidir quem financiar o fundo global para o clima. Como se não fosse previsível, ninguém quer ter a responsabilidade de bancar o fundo. Frente a isso, os países desenvolvidos querem, quando lhes é mais vantajoso, aproximar o poder dos países emergentes de seu poder, admitindo que ambos tenham uma taxa de contribuição bem similar para o fundo. Como se já não bastasse que os países desenvolvidos não queiram se comprometer em fechar um acordo sucedendo o protocolo de Kyoto.

Todos tem de tomar parte nessa luta e procurar contribuir da melhor maneira possível. Só podemos esperar que os países desenvolvidos assumam um compromisso e que saia um acordo ambicioso dessa conferência, assim como que os países emergentes e os demais também cumpram a sua parte. Vamos esperar pelo resultado.