Como todos sabem, os preços de produtos, importados ou não, no Brasil, é exorbitante se comparado a outros países. Pra quem ainda não sabia, vale informar que os brasileiros são os turistas que mais compram nos EUA; seus gastos ultrapassaram 11 bilhões nos nove primeiros meses de 2010. E isso acontece porque é possível economizar R$ 3000 em um laptop, pagar 6 vezes menos em um perfume Calvin Klein, e pagar ¼ do preço no Playstation 3, comprando nos Estados Unidos ao invés daqui (dados de dezembro de 2010). Isso acontece por causa dos impostos, coisa na qual ganhamos o prêmio de um dos países em que mais se paga tributos. Enquanto pagamos 40% do valor de um carro em impostos, nos EUA e na China paga-se 20%, metade do valor, pois temos 6 impostos sobre o consumo, ao invés de um, como é o mais comum no mundo (e não se engane pensando que a causa é o fato de ser importado aqui; muitos produtos vêm da China e são importados tanto para nós, quanto nos EUA). Não bastasse isso, produtos e marcas consideradas populares nos EUA e na Europa, são aqui produtos de luxo, que gira um mercado de busca pelo status, demandando altos preços para isso.*
A nossa insatisfação vai mais longe, quando pensamos no que é feito desses impostos que pagamos sobre os produtos. Investimentos em educação, saúde, infraestrutura...? Não. Notamos que em nosso país, todos esses elementos essenciais para uma boa qualidade de vida são extremamente deficientes. Vemos um ensino básico público muito precário; um sistema de saúde incapaz de atender a todos os necessitados; problemas com transporte, saneamento, tratamento de resíduos; e por aí vai. Além de pagarmos caro em tudo, o nosso dinheiro é drenado para a conta dos políticos corruptos e desperdiçado com a má administração, e ainda por cima temos que pagar por serviços básicos de qualidade privados.
Nessas horas vem aquela indignação e o pensamento de que os impostos deveriam diminuir e que deveríamos poder comprar tudo pelo mesmo preço que é comprado lá fora. Certo, nada mais justo. Mas imagina o que o barateamento de vários produtos causaria: consumo. Muito consumo. Talvez consumiríamos quase tanto quanto os países mais desenvolvidos, padrão que, se fosse seguido no mundo todo, levaria os recursos naturais ao esgotamento. Inclusive, dados afirmam que se o mundo todo consumisse como os Estados Unidos, seriam necessários cinco planetas para nos suprir. Além disso, mais lixo seria produzido, não só por consumidores, mas também na produção dessa maior demanda de produtos, o que acarretaria em um sério problema ambiental, que já é notável no país (temos o maior lixão do mundo no Rio). Outra coisa é que não necessariamente o imposto diminuído seria melhor destinado; talvez o quadro até piorasse, resultando em menos investimento nos setores básicos.
Assim, vemos que o buraco é muito mais embaixo: se simplesmente abaixarmos os preços haverá um boom de consumo; se cortarmos impostos, talvez menos ainda seja investido em necessidades básicas. Problemas políticos a parte, o que realmente deveria mudar é o nosso padrão de consumo. Vivemos, estudamos e trabalhamos para ganhar dinheiro e gastá-lo. Precisamos das melhores tecnologias, da última moda, de todas as facilidades. Se houvesse uma consciência acerca do consumo mundialmente, poderíamos achar uma solução para o problema dos preços, mesmo que não fosse fácil. Mas diante do quadro atual, é simplesmente impossível que haja qualquer alternativa satisfatória.
*Dados da revista Super Interessante, edição de dezembro de 2010: http://super.abril.com.br/cotidiano/tudo-custa-mais-caro-brasil-614244.shtml


Realmente o Brasil chegou a um nível que se assemelha a frança na época do antigo regime. Em que os impostos do estado serviam para sustentar as festas que o "rei sol" quisesse dar para sua larga lista de amigos sustentadostambém pelos impostos....Eu vi dados de que cerca de 35%, se nao mais, do PIB brasileiro é direcionado aos impostos. Sendo que na décadapassada era menos de 20%. Em qualquer outro país, isso já teria desencadeado fervorosas revoltas, ate mesmo revoluçoes.Efazendo uma mensao ao Felipe Neto, que ate a pouco tempo atrás estava conduzindo um movimento chamado "preço justo" que inferia exatamente isso, que os preços no Brasil sao injustos.Quem quiser ver acesse:http://www.youtube.com/watch?v=Q4rEJr3sUO8
ResponderExcluiraproveite e de o seu CPF a esse movimento. Nao podemos continuar a sustentar essa aristocracia que é essa familiazona de políticos!
Com relaçao a necessidade de concientizaçao, chegamos ao um topico muito polêmico... Porque os seres humanos tem esse instinto de querer consumir,seja por rezoes socias, seja por desejo próprio. Nietzsche explicou bem isso, que o homem tem vontade de poder. E é verdade porque quase tudo o que fazemos possui um caráter de saciar a nossa "vontade de poder". Portanto mesmo concientizados, o povo brasileiro estaria lutando contra seus próprios instintos. Esse fato faz com que, eventualmente, o brasil volte ao estado nao concientizado anterior. Nao estou dizendo que nao devemos concientizar a todos para poder abrir mais o mercado, mas que nao podemos fazer só isso. Devemos estabelecer medidas de segurança ou mesmo limites. Nao sei a melhor maneira. Discussoes filosoficas à parte,
achei o texto muito bom, muito informativo.Embora me deixe mais questionativo do que conformativo... Boa sorte na sua luta contra a injustiça(se bem que ela mesma é discutivel, me avise quando escrever sobre!)
bjocas!